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Os meus anos 70 – os anos felizes

Sábado, 22.10.11

 

Os meus anos 70 não foram todos eles felizes, houve anos muito bons e anos muito maus, pelo menos na forma como os senti. Mas os anos felizes, esses, estão para sempre ligados ao lado da saúde mental. Eu explico: a saúde mental está relacionada como o viver e deixar viver, com o respeito por si próprio e pelos outros, cultura que absorvi como uma esponja na infância e na adolescência.

Claro que esta máxima filosófica não era universal e muito do meu sofrimento posterior teve a ver com esse desajustamento, mas enfim… nesses anos de eterno verão essa máxima sobrepôs-se a todas as outras. Sentia-me feliz e estava rodeada de pessoas que se sentiam felizes. Não porque tivessem tudo o que materialmente se deseja num qualquer catálogo, mas simplesmente porque tinham o essencial: estavam vivas, de boa saúde, havia sempre legumes frescos na horta e fruta da época no quintal, as estações sucediam-se no tempo certo, a família estava unida para o melhor e para o pior, a primavera anunciava os meses de passeatas e mergulhos.

Havia uma sensação de desejo de futuro, e não era por ser adolescente, nos adultos sentia-se o mesmo. Havia uma sensação de novidade no ar, de promessas de novas experiências. Esta sensação misturava-se deliciosamente com uma sensação de conforto, de gratidão por estarmos todos ali, juntos, e não era preciso muito para fazer uma festa, um simples piquenique ou uma pequena viagem já eram uma aventura.


Hoje o que vejo à minha volta nada tem a ver com os meus anos 70. Há qualquer coisa de abafado e de opressivo, como se tivessemos recuado civilizacionalmente. A máxima saudável viver e deixar viver e o respeito por si próprio e pelos outros, perdeu-se no caminho. Se queremos manter a claridade de pensamentos e emoções temos de nos distanciar deste ruído constante e ir buscar essa brisa do eterno verão desses anos felizes.


Summer breeze sintetiza tudo. Há que resgatá-la dos nossos baús esquecidos, limpar o pó dos sótãos e das caves e tirar de lá fotografias de cores quentes e desmaiadas, para nos lembrarmos que já fomos assim, bem-humorados, gratos à vida, e felizes só por estarmos juntos.

Não estou a convidar ninguém para se alienar no passado, estou a propôr precisamente o contrário: resgatar a sua natureza original e autêntica para lidar de forma saudável com o difícil presente.


 

Nota breve: Escolhi a versão do Summer Breeze com o vídeo a lembrar as cores quentes das fotografias dos anos 70.

Já agora, na minha pesquisa sobre as composições dos Seals and Crofts (que desconhecia, só tinha fixado a sua brisa de verão), descobri estas duas, We May Never Pass This Way Again (with lyrics) e este delicioso You’re The Love. Dedico-as a todos os Viajantes que mantêm intacta a claridade dos anos felizes e que a sabem resgatar nos momentos difíceis.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:24

Amor e gratidão - 2

Terça-feira, 03.05.11

 

Estes sentimentos são essenciais para lidar com a vida e o mundo. Quem não os alimenta e acarinha é facilmente engolido pela voracidade de uma época superficial e artificial. Sim, vivemos numa época de imaturos emocionais que querem o céu com métodos infernais, que não sabem esperar, inquietos, indecisos e confusos. 


O amor adulto nada exige e nada impõe, não é calculista, manipulador, possessivo, porque isso é a negação do próprio amor. 

O amor é o melhor antídoto para a solidão, a sensação de não-pertença, de rejeição. E é a melhor receita para a saúde e bem-estar.

Mais, o amor adulto é a melhor via para a realização pessoal de cada um, pois promove precisamente a liberdade de se ser quem se pode realmente ser, para lá de todas as nossas limitações ("amor intencional" de Jacob Needleman, em "O Pequeno Livro do Amor" - Bizâncio).

Quando se fala de amor fala-se de liberdade, é a fórmula natural. Leiam ou releiam "1984" de George Orwell e verão que está lá tudo. 

 

Numa fase tão difícil como a que estamos a viver colectivamente, que nos toca de perto, o amor tem um papel fundamental na coesão de grupo e de comunidade. E é a melhor base para a construção a partir dos destroços. Amor baseado no respeito por nós próprios em primeiro lugar. Amor baseado no respeito pela vida. Amor baseado no respeito pelos que nos rodeiam.

A gratidão entra logo no início, na primeira respiração, no primeiro grito. No início de uma nova vida. A partir daí, gratidão como forma de vida: pelo que nos sabe bem e pelo que nos sabe mal, pelas sensações agradáveis mas também pelas sensações desagradáveis. Aceitar tudo filosoficamente. Tudo faz parte de um percurso, de um caminho. E aprender com as diversas experiências e interacções. Aprender sempre. Com infinita gratidão.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:55

Amor e gratidão - 1

Domingo, 17.04.11

 

Coloquei desde sempre estes sentimentos essenciais no topo de todos os outros: amor e gratidão. E não apenas em relação às pessoas que comigo coincidiram num espaço-tempo, desde os mais próximos, os que primeiro amei e conheci (ou pensei conhecer). Também em relação à própria vida, só porque sim, respirar fundo quando se abrem janelas pela manhã, caminhadas entre árvores, o calor do sol primaveril na pele, a água tépida de um lago,  a luminosidade que se altera, os sons, os cheiros... 

 

Este é um exercício vital para todas as idades: passear em jardins botânicos, históricos ou actuais, organizados ou desordenados, voltar a fazer piqueniques, voltar a esse encontro com as coisas simples como preparar um lanche. Aqui voltarei com receitas, desta vez para lanches ao ar livre.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:48

A alma acesa

Quarta-feira, 12.05.10

 

 

Quando a alma se acende

tudo se ilumina

caminhos perdidos

reaparecem no horizonte

mãos tateantes encontram-se

abraços e sorrisos

estamos aqui

 

Veio de longe

ao encontro do seu povo

e todos o reconheceram

símbolo de Pedro

construção sagrada

 

Veio ao nosso encontro

lembrar-nos quem somos

e os laços que nos unem

indestrutíveis porque no plano da alma

a alma acesa do seu povo

 

Leva consigo a certeza viva

da confirmação da fé

do amor fraterno

do destino universal

de um povo carinhoso

 

Ficamos mais fortes

na alegria do encontro

o olhar mais límpido e seguro

as mãos menos tateantes

os caminhos a aclarar-se

 

Obrigada, Santo Padre!

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:32








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